O meu carinho por Asanio Inio

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Olá queridos leitores!

Queria ter feito o BEDA: Blog Everyday in April/August. Como não pude fazer em abril, esperava poder participar dessa vez. Na primeira postagem pretendia conversar um pouco com vocês sobre uma paixão de 2017: Asanio Inio. Resolvi postar mesmo assim. Sempre li muitos comentários positivos sobre esse mangaká mas nunca cheguei a procurar algo dele para ler. Infelizmente, sou daquele gênero de pessoa que abre o My Anime List e pesquisa os mangás/animes com as melhores notas pra assistir e tentar entender porque tem uma nota "alta" (entre aspas porque, numa escala de 1 a 10, as MELHORES notas ficam entre 7 e 9 e não: não existe uma única obra com nota 10).

É uma atitude deplorável, já que cada pessoa tem sua própria forma de avaliar um conteúdo, e tem suas próprias experiências que influenciam na hora de formar uma opinião sobre algo. Isso significa que, mesmo com uma nota abaixo de 7 no MAL, uma obra não necessariamente é detestável e "inassistível". E também quer dizer que nem todas as obras com classificação acima de 7 são de bater palmas e assoviar (tem animes que eu não entendo como são tão aclamados, mas vida que segue).

Então, enquanto praticava esse ato medíocre e que não me desfarei tão cedo, já que conheci muitas coisas interessantes dessa forma, eu conheci um mangá do tal Asanio Inio e levei um choque. Não, não foi Solanin, que foi o último que li, mas outro (Sekai no Owari to Yoakemae, que significa: Antes do Amanhecer e do Fim do Mundo) que eram contos muito reflexivos e... Adultos. Eu tinha um certo repúdio de obras que continham ou insinuavam relações sexuais, aquele velho trauma de ecchi (peitos e bundas vivos dançando ragatanga freneticamente mesmo que a personagem estivesse parada, lolis com a pantsu de usagi aparecendo, aaaaa queima em nome de ), mas meu conceito foi completamente reconstruído depois dessa obra.

Sekai no Owari to Yoakemae

Uma vez que me tornei adulta, algumas coisas pareceram mais claras. Amor é nada mais que um fenômeno químico, sexo é nada mais do que uma reação natural, e o poder do dinheiro é muito maior do que parece (ok, eu estou eu estou ARROTO me sentindo como o velho ARROTO o velho Rick). Eu aprendi que não sabia muito sobre amor, que fazer sexo pra preencher o vazio não era exatamente errado como os conservadores gostam de fazer parecer e que o dinheiro importa sim. Existe uma romantização muito grande que faz com que pensemos que todas essas coisas são ruins, aí crescemos e percebemos que todas as pessoas fazem coisas ruins e nos tornamos jovens ansiosos, depressivos, frustrados, perdidos em um mundo adulto onde ninguém nos ensinou como as coisas realmente funcionavam. "Minha vida foi uma mentira", o sentimento é real nessa expressão.

Uma vez que crescemos e o mundo é despido em frente aos nossos olhos inocentes, tudo se torna claro. Difícil e amargo, é verdade, mas bem nítido. Acho que é normal que procuremos coisas que fujam da nossa realidade, e talvez seja por isso que Asanio é incrível. Ele nos leva para uma realidade que não é nossa, mas de outras pessoas com outros tipos de personalidade, e nos mostra coisas reais e que conhecemos, mas num universo onde tudo se torna límpido como a água. É como pegar a essência de como funcionam as coisas e colocar dentro de uma caixa, para que possamos observar e perceber aonde tudo aquilo vai dar, e esse momento é extremamente reflexivo.

Nunca imaginei ler um mangá com a intenção de fugir da realidade e da rotina, e me encontrar submersa numa reflexão sobre o que eu venho vivendo e o mundo em que eu me encontro. Principalmente, porque tudo o que leio é fantasioso, mágico, surreal, e lá no fundo, bem na essência é que há uma mensagem sobre coisas que conhecemos na nossa realidae. Asanio coloca em algo fictício aquilo que é real, assim mesmo, de forma crua. É incrível, ao mesmo tempo que é melancólico e angustiante. Eu me sinto bem de poder refletir sobre a vida e de sentir que... É, eu não estou maluca.


Solanin
Então, após minha aventura e choque pelos contos de Sekai no Owari to Yoakemae, fui conhecer Solanin. Contava a história de um jovem casal de namorados e sua experiência com o mundo adulto, os sonhos adolescentes sendo pisados aos poucos pelas dificuldades, algo que eu me identificava muito. Eu me emocionei muito com a história, principalmente pelos picos de emoção e de vazio que se intercalavam, mostrando como o mundo é... monótono e menos romântico do que a gente tenta desenhá-lo.

Depois de Solanin eu sempre choro ouvindo músicas de bandas de rock indie japonesas (adoro encontrar aquelas dos anos 90). Inventei de procurar uma terceira obra do Asanio, Oyasumi Punpun, "Boa Noite PunPun" em português. Conta a história de um garotinho de 11 anos, parece bem infantil, mas Punpun vai descobrindo coisas sobre a vida adulta, amadurecendo e se vocês prestaram atenção no que eu contei até agora das obras do Asanio, já devem ter entendido que a história é tocante.

Não posso de maneira alguma esquecer de citar Umibe no Onnanoko (A Girl in the Shore, Uma Garota na Praia em pt), porque me tocou de maneira insanamente pessoal. Conta a história de dois adolescentes entediados que, depois da guria ter partido o coração, passam a viver um relacionamento sem compromisso. O guri é bem excluído e tem um passado bem dolorido, enquanto ela tem um melhor convívio social na escola. Um sentimento começa a nascer em algum momento e começa a atrapalhar a vida dos dois.
Kousuke, o guri solitário de Umibe no Onnanoko.

Eu não sei por onde começar: será que devo falar sobre a guria ter partido o coração dela com um cara idiota? Será que comento sobre o fato dela ter decidido ter um relacionamento descompromissado com o guri problemático e fechado do qual ela já havia dado um fora? Ou devo falar sobre o sentimento silencioso que surge entre os dois e o que eles (principalmente ELE) decidem fazer com o que sentem? Eu não sei, essa história é tão real e tão COMUM que lê-la me acertou tão em cheio!!!

Outro mangá do Asanio Inio que eu li e me despedaçou com seus aspectos reais foi Nijigara Holograph, que as crianças decidem fazer um sacrífico para que o fim do mundo não aconteça: uma outra criança que era rejeitada e que sua mãe acabara de morrer (inclusive, esse é o contexto utilizado para usarem ele como sacrifício, mas na história é melhor explicado). Mas não tão simples assim, todas as pessoas dessa época aí, anos depois tendo que lidar com o peso do que fizeram, seja lá o que foi. Uma crítica social tão... Sei lá que palavra usar.

Resumo dessa postagem: Eu não tenho estruturas para explicar Asanio Inio. Eu gostaria de conseguir expressar o quão bom é saber que a minha visão amarga e desesperada da vida não é um defeito, que muitas pessoas entendem o sentimento, que existem obras com personagens tão perdidos quanto eu. Me sinto tão grata de saber que minha ânsia de contornar todos esses tropeços e soluços não são dramas da minha cabeça, que o mundo realmente é complicado às vezes, que se sentir perdido também é normal.

Não sei explicar? De alguma forma, saber isso me dá algum tipo de esperança, uma ressalva ao fato de que eu não vim com defeito e só estou sendo humana. Eu sinto como se eu pudesse continuar tentando, sabe? Que palavras usar, heim?! Talvez daqui algum tempo eu consiga resenhar alguma de minhas leituras dele, quem sabe quando eu terminar de acompanhar a história do Punpun? Ou talvez nunca?!


"Nous les offensés, nous les apeurés 
Touchant de nos sens, celle que l'on a tant redoutée."

QUE A FORÇA ESTEJA COM TODOS.

3 comentários:

  1. OH MEU DEUS BEM VINDA DE VOLTA YOOCCYAN 💚💚💚 (vou comentar direito eu prometo)

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  2. Olá, Yoo! \o/

    Eu também sou dessa que procura anime e mangá com base na nota. E concordo bastante contigo quando diz que um anime com nota abaixo de 7 não é necessariamente ruim, e vice-versa.
    Dessas obras que você citou na postagem, eu só conhecia Solanin e Oyasumi Punpun que, inclusive, tenho interesse em ler. Mas não sabia que ambas eram do mesmo autor.

    Eu confesso que fiquei bem interessada nas obras desse mangaká depois de tudo o que tu falou. Parece aqueles autores que de alguma forma te deixa marcada com aquilo que escrevem. Outra coisa que atraiu a minha atenção foram os traços. Gosto bastante de mangás com essa pegada mais madura.

    Você leu todas as obras online? Se sim, em qual site?

    Beijos!

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