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O elfo e a despedida

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Foto tirada em 3.10.18, enquanto voltava da faculdade. Desculpem a má qualidade da foto, não sei lidar com a opção HDR da câmera do celular >///<


Olá queridos leitores!

Essa intro vai ser bem pequena: eu decidi finalmente começar a postar contos aqui, fragmentos de história dos meus oc’s. Espero que gostem.


Uma noite morna chegava lentamente pelo céu rosado. Era a escuridão que sucedia o sonho doce de um amor juvenil. Era como todos os finais: escuro, solitário, sufocante. O ar abafado seria substituído por um vento gelado de cortar a alma conforme os pensamentos se inundavam em lembranças. Não havia uma única estrela brilhando no céu, nem nuvens, nem sinal de que a instantes atrás houvesse estampado com um rosa delicado e vivo. E olhando para esse céu nú e monótono estava Yhendorn. Os olhos claros marejados com delicadas lágrimas a ensaiarem uma queda. Os lábios finos comprimidos, longos fios prateados cascateando de seu coro cabeludo e pousando elegantemente atrás das orelhas pontudas. Protegido com uma capa verde musgo, sentado na relva que se antecedia ao caminho de casa, o jovem elfo lamentava a dor profunda em seu peito.

Embora seu pai o tivesse avisado sobre as consequências, também sabia que não podia lutar contra o próprio coração. O jovem elfo se apaixonara por uma estrondosa macieira. Talvez não seja um amor que humanos possam entender, mas as árvores são incríveis. Qualquer um que pudesse ouvi-las com tanta sabedoria e ternura para com a vida, com certeza teriam dificuldades em se despedir.Ele ainda era pequeno quando a conheceu, tinha 8 anos. Um elfo da floresta deve se sintonizar com a floresta, e convicto a isso ele fugiu dos olhos atentos de sua mãe e partiu arvoredo adentro. Ele adorava conversar com todas, saltitava de alegria quando brotos nasciam e brincava de pegar com os insetos. Mas algo lhe chamou atenção: um canto suave e doce de uma voz angelical. Nunca na vida o jovem elfo havia escutado algo tão lindo, não vindo de uma árvore.

- Olá jovem elfo!
- Olá! Sua voz é linda!
- Encantada! Como se chama?
- Yhendorn, e você?
- Faz tanto tempo que não o uso... me chamo Mácia. Inicialmente era um apelido para a minha espécie, mas A Grande Mãe o oficializou como meu nome.
- É um lindo nome. - o jovem parecia envergonhado.
- Está com fome? Meus frutos estão doces e suculentos. Os que amadureceram mais recentemente tem o canto que acabara de ouvir guardado!
- Uau! Mas, espere: se eu comer então saberei cantar como você?
- Não, mas ouvirá meu canto quando precisar, é só pensar em mim.
- E quanto tempo dura? Até eu ir ao banheiro?
- Haha! - gargalhou Mácia - Enquanto eu viver, pequeno elfo.

Conversaram por longas horas, e a experiente macieira contou histórias incríveis para Yhendorn que ouvia atentamente enquanto comia maças sentado confortavelmente em um dos galhos de sua nova amiga. Ela era tão gentil! Quando estava triste corria até ela que o protegia num ninho de galhos e folhas frescos e macios. Os anos passaram e o rapaz sentia um amor cada vez mais forte por Mácia.

- Meu filho, é perigoso demais! Talvez devesse se afastar!
- Como amá-la pode ser perigoso, meu pai?
- Árvores morrem! Assim como humanos, animais e outros! Irá sofrer quando ela partir!

Yhendorn nem imaginava a possibilidade de passar o resto da eternidade sem a macieira, ela fora sua companheira por muitos anos. Fechava os olhos pensando nela, sua voz cantarolando delicadamente em sua mente, o coração pesava em medo. E então aconteceu: a canção sumiu de sua mente. O elfo tentou a todo custo pensar em seu amor para ouvir sua doce voz, mas nada acontecia. O desespero tomou conta e ele correu o mais rápido que um elfo pode correr até o lugar onde jazia sem vida a doce Mácia.

Há algum tempo não dava mais frutos, o tronco estava envelhecido e as folhas secas, mas tinha a esperança de que viveria muitos anos mais com ela. Yhendorn lamentou não ter podida ficar cada segundo ao lado de Mácia, desde que a conheceu. Com a imagem seca e sem vida do que um dia já foi um manto de ternura e vivacidade, o jovem elfo andou sem rumo até estar mais próximo do céu. Sentou e agraciou-o. A ausência de nuvens e estrelas era um sinal de que a natureza respeitava sua dor. Mas a morte faz parte do ciclo da vida, e daquela árvore já existiam outras. Yhendorn era o único que não estava preparado para aquele adeus.

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